segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

ILUMINISMO, O MATERIALISMO E SIGISMUND SCHLOMO FREUD

Na Europa do século XIX muitos dos filósofos e cientistas em voga partilhavam do clima filosófico e científico que convergiu para um modelo denominado materialista. Esse modelo filosófico e científico proveio de influência direta dos ideais Iluministas, que teve sua ascensão na França, na metade do século XVII, e também do Positivismo de Auguste Comte, com seu apogeu na segunda metade do século XIX (FARIA, 2003).
O Iluminismo, que pretendia eliminar as "trevas" do período medieval, tinha como objetivo a liberdade dos homens e, por isso, se baseou nas ideias de grandes filósofos da época, como John Locke, e a sua exposição sobre o Empirismo: para ele não interessavam as idéias puras e sim abrir-se para a percepção – responsável por fornecer os elementos necessários para a compreensão da realidade. John Locke atribuía, sobretudo, o conhecimento à experiência mediante a observação da natureza (WONDRACEK, 2003). Já René Descartes, teorizou sobre a exposição do problema mente-corpo, em que as principais questões eram: como o espírito poderia agir sobre a matéria e como os fatos da consciência poderiam agir sobre o organismo ou o organismo sobre os fatos da consciência (FARIA, 2003).
 A cadeia de filósofos do Iluminismo também foi fortemente influenciada pelo materialismo dos pré-socráticos, como Demócrito e Lucrécio, que explicavam os fatos do universo em termos físicos, por meio da existência e natureza da matéria. Todas essas ideias foram alinhadas, posteriormente, ao Positivismo de Auguste Comte que, sem qualquer atributo teológico ou metafísico, tinha como premissa a busca pelas leis que regem os fenômenos e fatos naturais, unicamente por meio da observação objetiva (FIGUEIREDO; SANTI, 2006).
Wondracek (2003) coloca que, no final do século XIX,

A ciência passa a ser considerada como a única manifestação legítima de Infinito, dando-lhe conotações quase religiosas, constituindo-se em alternativa às religiões tradicionais, e em fundamento último das normas éticas. Como conseqüência, todo sobrenatural, visto como oponente ao científico, é considerado inimigo do humano e deve ser eliminado (p. 170).

Assim, os filósofos e os cientistas desenvolviam diversas teorias que, consequentemente, colocavam em xeque o valor científico da época – valores estes que sempre estiveram intrinsecamente ligados à teologia e à religião. Inúmeros debates, confusões e exageros envolvendo teólogos, filósofos e cientistas eram cada vez mais frequentes, pois, de um lado, se defendia a origem de todos os seres humanos provenientes apenas de um casal humano ou de alguma entidade divina e, do outro, admitia-se vários casais humanos primordiais, como o fisiologista Carl Vogt, com sua obra Köhlerglaube und Wissenschaft [Fé de carvoeiro e Ciência]; e a obra do médico Ludwig Büchner, Kraft und Stoff [Força e Matéria], de 1853, que explana e expõe a interação entre matéria e suas forças – esta última foi reproduzida em mais de vinte edições e é considerada, até hoje, a bíblia dos científico-materialistas. Para completar, 1859, seis anos após a publicação de Büchner, Charles Darwin trouxe à tona sua obra On the Origin of Species [A Origem das Espécies], que, embora muito bem quista pelos cientistas materialistas, foi condenada por diversos filósofos e teólogos por desafiar a interpretação da criação bíblica, pois trazia à tona a perspectiva de que o homem apenas era um animal com um cérebro bem desenvolvido (KUNG, 2006).
Com a ampla divulgação dessa série de publicações no cenário acadêmico científico, o ateísmo na Europa se tornava cada vez maior. Na Alemanha a transformação cultural por causa do embate científico-religioso era ainda mais evidente, pois a reforma educacional que ocorrera no começo do século XIX, com base nas ideias materialistas, permitia que os professores universitários escolhessem livremente o tema e o método de como as matérias seriam abordadas e, assim, o resultado dessa liberdade educacional permitiu a aplicação de diversos métodos experimentais que possibilitou, em pouco espaço de tempo, uma impressionante evolução da ciência moderna. Evolução esta que beneficiou principalmente a Psicologia, que integrava dados de diversas áreas e que era conhecida por descrever e mensurar as diferenças individuais. Por mais que população dos séculos anteriores, XVII e XVIII, fosse assídua frequentadora de igrejas, depois dessas publicações da segunda metade do século XIX, onde quer que se vasculhasse por informações a respeito da ciência e da religião se encontraria “um vasto campo de batalha, repleto de credos envelhecidos e modernas heresias, e animado pelos heroicos frenesis de novas seitas” (GAY, 1992, p. 23).
Teólogos e cientistas lutavam para demonstrar suas verdades. Andrew Dickson White – que embora fosse cientista estava do lado dos teólogos – definiu que “o mundo necessita é mais religião, e não menos; mais devoção à humanidade, e menos pregação de dogmas”. (WHITE apud GAY, 1992, p. 32). Já John William Draper – um dos porta-vozes da ciência materialista do século XIX e autor do livro History of the Conflity between Religion and Science [História do Conflito entre Religião e Ciência] – acalorou o conflito com a definição de que o Cristianismo Romano e a Ciência têm seguidores absolutamente incompatíveis e, por isso “não lhes é possível existir lado a lado. Um deve capitular diante do outro. A humanidade tem que fazer sua escolha – não pode ter os dois.” (DRAPER apud GAY, 1992, p. 31).
O cenário teológico e científico da Europa fervilhou com a publicação de obras de contestação e, assim, ao final do século XIX, o cenário filosófico científico convergia cada vez mais ao materialismo científico. E foi no cenário de disputa entre Igreja e Ciência que nasceu Sigismund Schlomo Freud***. Essas lutas constantes perduraram durante décadas. E elas foram observadas por Freud, não com menos interesse, enquanto crescia, entrava na universidade, se estabelecia como médico e começava a desenvolver a psicanálise (KUNG, 2006).
Mas ele foi influenciado diretamente por todo esse cenário da época? É o que veremos na próxima postagem a respeito do tema Psicanálise e Religião.

*** A grafia do nome de Freud foi alterado quando ele estava na faculdade.


REFERÊNCIAS
FARIA, A. L. O materialismo na psicologia e na psicanálise. In: WONDRACEK, K.H.K. (Org.) O Futuro e a Ilusão: Um embate com Freud sobre Psicanálise e Religião. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 94-110.

FIGUEIREDO, L. C. M.; SANTI, P. L. R. Psicologia, uma (nova) introdução; uma visão histórica da psicologia como ciência. 2ª ed. São Paulo: EDUC, 2006.

GAY, P. Um Judeu sem Deus: Freud, Ateísmo e a Construção da Psicanálise. Rio de Janeiro: Imago, 1992.

KUNG, H. Freud e a questão da religião. Campinas: Versus Editora, 2006.

WONDRACEK, K. H. K. Freud, Pfister e suas ilusões – Que ciência? Que religião? In: ______. O Futuro e a Ilusão: Um embate com Freud sobre Psicanálise e Religião. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. p. 167-200.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Seminário Redução da Maioridade Penal




Convidados:

Padre Júlio Lancelotti (Fundador da Pastoral do Menor)

Ariel de Castro Alves (Advogado, Especialista em Políticas de Segurança Pública, Vice-presidente da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente da OAB São Bernardo), Roberto da Silva (Professor da Faculdade de Educação da USP)

Gabriel Medina (Coordenador Municipal de Juventude e Cidadania de São Paulo)

Ari Friedenbach (Advogado formado pela PUC-SP, Vereador eleito em 2012)

Berenice Giannella (Presidente da Fundação Casa, Procuradora do Estado, formada em Direito pela USP)

Clinton Guimarães (Promotor de Justiça)

Esmeralda Ortiz (Jornalista, Escritora, Compositora e Cantora), Major Olimpio Gomes (Deputado Estadual).

A Assembleia fica na Av. Pedro Álvares Cabral, 201, Ibirapuera, Auditório Franco Montoro – andar Monumental.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

XXXV Jornada de Psicossomática e Psicologia Hospitalar - PUC-SP


XXXV Jornada de Psicossomática e Psicologia Hospitalar - PUC-SP
 
“Neurociência em Psicossomática”
 

Programação
 
9h - Abertura – Prof. Dr. Durval Luiz de Faria – Coordenador do Programa de Pós graduados em Psicologia Clinica
                        Profª. Dra. Mathilde Neder – Coordenadora do Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar
 
9h30 às 11h - Palestra: A Interface Psiquiatria e Neurologia: histórico e avaliação– Dr. Francisco Baptista Assumpção Jr - Professor Associado do Instituto de Psicologia daUniversidade de São Paulo
 
11h às 12h30 - Palestra: Tema a ser definido – Dra. Dalva Lucia Rollemberg Poyares - Professora do Departamentode Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo
 
12h30 às 13h30 - Almoço
 
13h30 às 15h - Palestra: Depressão no contexto médico não psiquiátrico. Dr. Renério Fráguas Júnior - Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
 
15h às 16h30 – Palestra: Meditação e Neurociência. Dra. Elisa Harumi Kozasa - Pesquisadora e Orientadora do Departamento de Psicobiologia da Universidade      Federal de São Paulo
 
17h30 - Encerramento
 
 
Dia: 20 de Junho de 2013 (5ª Feira)
Local: PUC/SP Rua Monte Alegre, 969
Auditório: 239 – 2º andar prédio novo
 
FAÇA SUA INSCRIÇÃO PELO EMAIL: jornadapsicossomatica@yahoo.com.br
Para inscrição informar:
Nome completo
Email:
Profissão:
 
EVENTO GRATUITO
VAGAS LIMITADAS
ENTREGA DOS CERTIFICADOS NO LOCAL

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Congresso ADEIP - Associácion Argentina de estudio e investigación en psicodiagnostico.

O Congresso da instituição Adeip já está na sua 25º Edição e acontecerá na cidade de Buenos Aires, nos dias 3, 4 e 5 de outubro. O tema central desse ano é "O diagnóstico psicológico na atualidade: Subjetividade, contextos e instrumentos".

Tenham acesso a mais informações do congresso no link abaixo:

Tivemos o prazer de poder apresentar um trabalho nesse congresso, em terras argentinas onde fomos muito bem recebidos! Abaixo, segue o resumo do trabalho que foi apresentado. Caso queiram o artigo científico na íntegra, favor comuniquem por mensagem que enviaremos um e-mail com o trabalho.


ESTUDIO DE CASO DE DOS PRESIDIARIAS EN SITUACION DE EVALUACÍON PSICOLOGICA.
EDA CUSTÓDIO
IZABELA OLIVEIRA
JONAS ALMEIDA
Resumen
El objetivo de este estudio fue identificar las características de la personalidad de dos presos en un proceso de la evaluación psicológica para la progresión al régimen semi-abierto. En este, utilizamos como un instrumento entrevistas semi-dirigida, dos protocolos con la técnica del dibujo de HTP, con el análisis propuesto por Van Kolck (1984) y Hammer (1981). Los participantes, en edades entre29 y 55 años, condenados respectivamente por el artículo 157 (robo a mano armada) y por el artículo 121 (homicidio) del Código Penal brasileño, en principio cerrado, condenado en un Centro Penitenciario de Mujeres de São Paulo/Brasil. En los resultados con respecto al preso que cometió el roboa mano armada, se identificaron señales de extrema dependencia hacia los demás, y el infantilismo y la necesidad de gratificación inmediata. Gran capacidad de fantasear y concepción infantil del mundo. Interacción con un medio ambiente controlado. En lo que respecta al prisionero que cometió asesinato, se identificaron huellas de control del ego débil y sentimientos de impotencia. Además, se observó un mal contacto con la realidad y poca socialización, mostrándose inapcesible emocionalmente, con dificultades de fantasar. Las características de ambos prisioneros están relacionados con las circunstancias que son: la prisión.
Palabras clave: Evaluación Psicológica, los presos, la personalidad.